Tem algo muito grande acontecendo no mercado do entretenimento e eu não sei se você leu ou ouviu – também não sei se você deu a devida atenção.

Resumindo: nada mais é nosso e tudo é deles.

Pois bem, nesta série de três posts eu vou te explicar rapidinho as grandes mudanças sobre os produtos digitais que consumimos e porque você deveria se preocupar.

PARTE 1 – Você não é mais dono do que compra digitalmente

Eu já quero te botar a par do que está acontecendo: todo conteúdo digital que você compra com o seu dinheiro não é mais seu. A menos que você leia os termos de compra e esteja explícito que a cópia do conteúdo é de sua propriedade (e livre de DRM, que é algo que eu explico abaixo), o jogo que você comprou na loja virtual do seu console, o filme que você comprou na Amazon ou Google, a música comprada no iTunes – nada disso é seu.

Pode não fazer sentido agora que você acabou de pagar e o conteúdo está disponível pra você. Mas, o que realmente acontece com o mercado de entretenimento digital é simples: você não é DONO do arquivo baixado. Você é dono de uma LICENÇA que te PERMITE executar o arquivo baixado.

Tá, e daí? Não é a mesma coisa?

Infelizmente, não. Não é a mesma coisa.

Licenças expiram ou tem prazo de validade – além de condições para funcionarem. Condições como disponibilidade da plataforma e/ou uso exclusivo dentro de um sistema são comuns e podemos chamá-las de DRM. Digital Rights Management são sistemas de segurança em mídias que visam proteger o criador/empresas de distribuição/o mercado da tão conhecida pirataria.

Foto por Glenn Carstens-Peters no Unsplash

Como isso mexe com o seu lazer (e com o seu bolso)

O que era pra ser “bom” no sentido de proteger a propriedade privada acaba dando um poder inimaginável para os distribuidores de tais mídias. Veja – não vou entrar no debate moral sobre pirataria e como ela é sim uma coluna importante para o mercado – mas o problema aqui é como as empresas abusam do DRM para cercear o seu direito de usar uma cópia de um produto comprado com O SEU DINHEIRO conforme a sua necessidade.

Saiu esses dias mais uma notícia de que pessoas que compraram filmes pela PlayStation Store perderam o acesso aos filmes que compraram e sequer receberão o dinheiro de suas compras de volta. No fim deste post, vou fazer uma lista de notícias parecidas e de diferentes anos para que você veja que não é algo novo.

O que já era um problema por si só apenas piora com o cenário da tecnologia atual. O custo do hardware elevado (muito por conta da febre da inteligência artificial) e a escassez da mídia física nos tornam reféns desse modelo de negócio onde pagamos pelo uso do conteúdo, não pela posse dele. Tudo se tornou uma grande locação para que o consumidor continue pagando e investindo recorrentemente pela experiência.

A ideia da facilidade de acesso e do baixo custo mensal é realmente tentadora e tem suas vantagens. Porém, pensando a longo prazo, como isso será conduzido pelo mercado? Como criaremos memórias afetivas com conteúdos que serão um dia descartados? Como vamos preservar a história e o trabalho de pessoas que investiram suas vidas em suas produções?

Na próximo post, vamos analisar a história da distribuição do entretenimento e como chegamos até aqui.

Até breve!

[Alguns links de notícias sobre conteúdos removidos e o fim da mídia física]

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