Tem algo muito grande acontecendo no mercado do entretenimento e eu não sei se você leu ou ouviu – também não sei se você deu a devida atenção.
Resumindo: nada mais é nosso e tudo é deles.
Pois bem, nesta série de três posts eu vou te explicar rapidinho as grandes mudanças sobre os produtos digitais que consumimos e porque você deveria se preocupar.
PARTE 1 – Você não é mais dono do que compra digitalmente
Eu já quero te botar a par do que está acontecendo: todo conteúdo digital que você compra com o seu dinheiro não é mais seu. A menos que você leia os termos de compra e esteja explícito que a cópia do conteúdo é de sua propriedade (e livre de DRM, que é algo que eu explico abaixo), o jogo que você comprou na loja virtual do seu console, o filme que você comprou na Amazon ou Google, a música comprada no iTunes – nada disso é seu.
Pode não fazer sentido agora que você acabou de pagar e o conteúdo está disponível pra você. Mas, o que realmente acontece com o mercado de entretenimento digital é simples: você não é DONO do arquivo baixado. Você é dono de uma LICENÇA que te PERMITE executar o arquivo baixado.
Tá, e daí? Não é a mesma coisa?
Infelizmente, não. Não é a mesma coisa.
Licenças expiram ou tem prazo de validade – além de condições para funcionarem. Condições como disponibilidade da plataforma e/ou uso exclusivo dentro de um sistema são comuns e podemos chamá-las de DRM. Digital Rights Management são sistemas de segurança em mídias que visam proteger o criador/empresas de distribuição/o mercado da tão conhecida pirataria.

Como isso mexe com o seu lazer (e com o seu bolso)
O que era pra ser “bom” no sentido de proteger a propriedade privada acaba dando um poder inimaginável para os distribuidores de tais mídias. Veja – não vou entrar no debate moral sobre pirataria e como ela é sim uma coluna importante para o mercado – mas o problema aqui é como as empresas abusam do DRM para cercear o seu direito de usar uma cópia de um produto comprado com O SEU DINHEIRO conforme a sua necessidade.
Saiu esses dias mais uma notícia de que pessoas que compraram filmes pela PlayStation Store perderam o acesso aos filmes que compraram e sequer receberão o dinheiro de suas compras de volta. No fim deste post, vou fazer uma lista de notícias parecidas e de diferentes anos para que você veja que não é algo novo.
O que já era um problema por si só apenas piora com o cenário da tecnologia atual. O custo do hardware elevado (muito por conta da febre da inteligência artificial) e a escassez da mídia física nos tornam reféns desse modelo de negócio onde pagamos pelo uso do conteúdo, não pela posse dele. Tudo se tornou uma grande locação para que o consumidor continue pagando e investindo recorrentemente pela experiência.
A ideia da facilidade de acesso e do baixo custo mensal é realmente tentadora e tem suas vantagens. Porém, pensando a longo prazo, como isso será conduzido pelo mercado? Como criaremos memórias afetivas com conteúdos que serão um dia descartados? Como vamos preservar a história e o trabalho de pessoas que investiram suas vidas em suas produções?
Na próximo post, vamos analisar a história da distribuição do entretenimento e como chegamos até aqui.
Até breve!
[Alguns links de notícias sobre conteúdos removidos e o fim da mídia física]
- https://www.polygon.com/gaming/476979/ubisoft-the-crew-shut-down-lawsuit-class-action/
- https://www.playstationlifestyle.net/2026/06/26/purchased-studio-canal-content-removed-playstation-library/
- https://www.npr.org/2023/03/24/1165711510/nintendo-wiiu-3ds-eshops-closing-digital-archives
- https://www.theverge.com/2024/1/30/24055807/spec-ops-the-line-delisting-licensing-2k
- https://www.theverge.com/2023/10/13/23915567/best-buy-discontinue-physical-media-dvd-blu-ray
- https://thedisinsider.com/2023/07/30/disney-to-discontinue-physical-media-releases-in-australia/
- https://www.hollywoodreporter.com/business/digital/digital-preservation-film-tv-shows-archives-1235851957/
- https://www.howtogeek.com/youre-waiting-for-a-blu-ray-release-that-may-never-come-2026-is-the-formats-official-downfall/

